Quais as Causas do Burnout?
Por que ignorar o esgotamento não vai fazer você se sentir melhor e se livrar do Burnout
Imagine um celular que você nunca desliga, que passa 24 horas ligado, vibrando, apitando e funcionando no limite. A bateria vai durar? Claro que não. Em algum momento, ele apaga, sem aviso. Agora, troque o celular por você.
O burnout não chega de repente, embora possa parecer. Ele é silencioso, sorrateiro e, quando nos damos conta, já estamos esgotados, irritadiços, sem energia até para atividades simples como tomar um banho ou responder uma mensagem. Mas por que isso acontece? Quais são as verdadeiras causas desse esgotamento emocional, físico e mental que tem afetado tantas pessoas?
Ao longo dos anos, acompanhei de perto o sofrimento de muitas pessoas que, antes de chegarem até mim, tentaram de tudo para dar conta de suas vidas sem perceberem que estavam a caminho de um colapso. O burnout não é frescura, não é falta de força de vontade. É um alerta do seu corpo e da sua mente, que gritam por ajuda. E se você está lendo este texto, talvez já tenha ouvido esse sussurro — ou esse grito.
Então, vamos entender de onde vem esse esgotamento? E, quem sabe, você pode perceber que não está sozinho nessa jornada e que há um caminho de volta ao equilíbrio.
O Que é Burnout, Antes de Tudo?
Antes de falarmos das causas, uma breve (mas importante) explicação. Burnout é uma síndrome reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e se caracteriza pelo estado de exaustão física e mental intensa, resultante de exposição prolongada a situações de estresse no trabalho. Mas eu costumo dizer que o burnout não se limita à vida profissional. Ele transborda. Vira um estilo de vida adoecido.
Pessoas com burnout sentem-se esgotadas, desconectadas de si mesmas, com falta de sentido naquilo que fazem, e frequentemente experimentam sintomas como insônia, dores físicas, crises de ansiedade e, em casos mais graves, depressão.
Mas por que isso acontece? Vamos direto ao ponto.
1. Excesso de Exigência e Pressão no Trabalho
(Ou o “Herói” Que Nunca Pode Cair)
Vivemos numa sociedade que valoriza a alta performance. É o famoso “seja o melhor”, “faça mais”, “não desista”, “vá além”. E você, responsável, comprometido, com um senso ético louvável, compra esse discurso e entra no jogo. O problema é que esse jogo não tem fim e nem pausa para o cafezinho.
O excesso de carga de trabalho, prazos apertados, cobranças sem fim e a falta de reconhecimento criam um ciclo vicioso. Você faz mais, entrega mais, mas parece que nunca é suficiente. Isso mina sua energia e autoestima. Não demora muito para a exaustão virar a regra, não a exceção.
Se você percebe que se cobra demais, que não sabe dizer "não", talvez seja o momento de perguntar: "Quem estou tentando salvar?". E aqui está o primeiro convite à reflexão que fazemos em terapia: é hora de deixar o “herói” descansar.
2. Falta de Controle Sobre a Própria Vida
(Você Está no Volante ou Só Pegou Carona?)
Outra causa comum do burnout é a sensação de não ter controle sobre as próprias tarefas e decisões. Você sente que não tem autonomia? Que tudo é imposto por outras pessoas ou situações? Quando vivemos sem a percepção de controle, nossa sensação de impotência aumenta. E isso esgota.
No consultório, costumo perguntar: você sente que está dirigindo sua vida ou que está apenas no banco do passageiro, torcendo para o carro não bater? A boa notícia é que é possível retomar as rédeas, entender seus limites e estabelecer prioridades que façam sentido para você. E a terapia ajuda você a enxergar isso com mais clareza.
3. Falta de Reconhecimento e Sentido no Trabalho
(Aquela Sensação de “Pra Quê Mesmo?”)
Imagine que você se dedica a um projeto, entrega além do esperado, perde noites de sono... e ninguém reconhece. Pior: alguém aponta um pequeno erro e ignora todo o resto. Sentir que o que você faz não tem valor é um golpe duro.
A ausência de reconhecimento ou de sentido naquilo que fazemos é uma das principais causas do burnout. O trabalho vira algo automático, sem propósito. E como dizia Viktor Frankl, um dos grandes nomes da psicologia existencial, a falta de sentido adoece.
É por isso que, na Terapia, muitas vezes ajudamos você a se reconectar com aquilo que faz seu coração vibrar. Porque não há energia que sustente uma vida sem propósito.
4. Falta de Apoio e Relações Saudáveis
(Os Super-Homens Também Precisam de Colo)
Outro fator essencial: o isolamento. Quando você sente que não pode contar com ninguém, que não há apoio, ou que precisa dar conta de tudo sozinho, o peso se torna insuportável.
Relações saudáveis, tanto no trabalho quanto na vida pessoal, são fundamentais para a prevenção do burnout. Mas muitos dos meus pacientes chegam ao consultório sem uma rede de apoio, desconectados das próprias emoções e com dificuldade de pedir ajuda.
Na Terapia, trabalhamos essas crenças de autossuficiência que, embora pareçam nobres, só aprisionam. E quando você percebe que não precisa dar conta de tudo sozinho, algo mágico acontece: o alívio.
5. Perfeccionismo e Autoexigência
(A Busca Pelo Impossível)
Se você se identifica com frases como “Eu preciso fazer perfeito” ou “Não posso falhar”, saiba que esse é um terreno fértil para o burnout. O perfeccionismo cobra caro. Ele coloca você numa corrida onde a linha de chegada nunca chega.
Pessoas perfeccionistas têm dificuldade de se perdoar, de aceitar erros e de entender que a excelência não exige perfeição. E isso consome uma energia emocional imensa.
Na terapia, especialmente na Terapia Focada na Compaixão, ajudamos você a praticar a autocompaixão. Você aprende a se tratar como trataria um amigo querido: com gentileza, compreensão e respeito.
6. Falta de Limites e Dificuldade em Dizer “Não”
(O “Sim” Que Está Te Matando)
Quantas vezes você disse “sim” quando queria dizer “não”? Quantas vezes assumiu responsabilidades que não eram suas, com medo de parecer egoísta ou preguiçoso?
A dificuldade em estabelecer limites é uma das causas silenciosas do burnout. Dizer “não” não é falta de generosidade, é um ato de respeito a si mesmo. Na terapia, resgatamos a importância de honrar seus próprios limites, algo essencial para preservar sua saúde mental.
7. Estilo de Vida Desregulado
(Dormir é Para os Fracos? Não Mesmo)
Pouco sono, má alimentação, ausência de atividades físicas e momentos de lazer. Quando o corpo está mal cuidado, a mente grita. E o burnout se instala com mais facilidade.
Na terapia, olhamos para sua rotina como um todo. Não adianta apenas mudar a mentalidade; é preciso cuidar também do corpo. Pequenas mudanças no estilo de vida podem fazer uma grande diferença na prevenção e tratamento do burnout.
Conclusão: Existe um Caminho de Volta (E Ele Começa Aqui)
Agora que você entende melhor as causas do burnout, talvez esteja se perguntando: “E o que eu faço com isso tudo?”. A resposta mais honesta? Você não precisa resolver tudo sozinho.
O burnout não é um sinal de fracasso, é um convite. Um convite para você se ouvir, se cuidar e, quem sabe, iniciar um processo terapêutico que pode transformar a maneira como você vive e trabalha. A Terapia Cognitivo-Comportamental pode ajudar você a mudar padrões de pensamento e comportamento que alimentam o burnout. A Terapia Focada na Compaixão ensina você a tratar a si mesmo com mais gentileza. E a Psicologia Analítica vai além, ajudando você a resgatar o sentido da sua jornada.
Se você chegou até aqui, parabéns. Já deu o primeiro passo. O segundo? Talvez seja agendar uma conversa comigo. E, juntos, podemos encontrar um caminho de volta para você.
Quer conversar sobre como posso ajudar você a lidar com o burnout? Entre em contato e agende sua sessão. O seu recomeço pode começar agora.

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